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O Brasil no mercado internacional de biodiesel

19 nov

Em termos de exportação de biodiesel, o Brasil ainda está bem longe de ser um player de peso como a Argentina ou a Indonésia. Mesmo assim, há gente de olho no potencial exportador de nossas usinas. Caso, por exemplo, do gerente comercial da Argos, Manfred Wefers, que falou sobre o mercado internacional do biocombustível durante a Conferência BiodieselBR 2014

De origem holandesa, a Argos é uma das maiores distribuidoras de combustíveis da Europa com 17,5 bilhões de litros negociados e faturamento de € 16 bilhões. Segundo Manfred, a principal razão para aumentar as apostas no consumo de biocombustíveis está em seu potencial para ajudar a mitigar mais rapidamente o problema das mudanças climáticas. “Os biocombustíveis têm tudo a ver com as mudanças climáticas porque, se nada for feito, as temperaturas globais podem subir até 7,8ºC até 2100”, destacando que um aumento tão grande teria resultados desastrosos mundo afora.

“Segundo a ONU, os biocombustíveis são a única forma economicamente viável de substituir os combustíveis fósseis”, complementa o executivo. Por isso, ele acha que cada país deveria estabelecer metas de uso de biocombustíveis.

Apesar desses benefícios, o palestrante concorda que há mérito nas críticas feitas aos biocombustíveis que apontam que o aumento das áreas de plantio para fins energéticos tem potencial para aumentar a pressão sobre ecossistemas fundamentais. Contudo, esse problema é muito mais limitado do que se poderia pensar inicialmente em função do tamanho relativamente reduzido que as culturas energéticas ocupam no contexto agrícola mundial.

Atualmente, cerca de 70% das terras agrícolas são ocupadas pela pecuária – tanto de corte quanto leiteira – com outros 22% das áreas dedicados ao plantio de grãos para sustentar a atividade pecuária. O plantio de gêneros alimentícios para consumo humano ocupa apenas 5% da área total. Culturas de fibras e outros materiais não alimentícios ficam com 2% das terras enquanto os biocombustíveis têm somente 1% do total.

Mudança das regras
Hoje o maior mercado para o biodiesel – com 90% do consumo global – está nos países da União Europeia. Por meio da Diretriz de Energia Renovável (RED, na sigla em inglês), esses países adotaram metas importantes tanto no uso de energia renovável quanto em termos de cortes nas emissões de gases relacionados ao efeito estufa (GEEs). Em termos gerais a RED estipula que os países do bloco têm até 2030 para que suas matrizes energéticas incluam 27% de energia renovável – no caso do setor de transportes, o mínimo é de 10%.

Essa meta tem sido o fundamento do mercado europeu de biocombustíveis. Contudo, para serem aceitos, os biocombustíveis utilizados devem atender critérios mínimos de redução dos GEEs quando comparados aos combustíveis fósseis que substituem:
- 35% desde 2012;
- 50% a partir de 2016;
- 60% a partir de 2018;

“Isso quer dizer que, cada vez mais, os biocombustíveis que os europeus vão usar serão em função da redução de GEE”, destaca o palestrante. Ainda diz que quem tiver interesse em perseguir oportunidades no mercado europeu, deve tomar providências no sentido de minimizar a intensidade de carbono de seus produtos.

EUA
Outro mercado importante são os Estados Unidos onde as diretrizes para o consumo de biocombustíveis estão descritas no Renewable Fuel Standard (RFS). Diferente de outros países, lá as metas são volumétricas. Todo ano o governo dos EUA acorda quanto biocombustível cada empresa do ramo de combustíveis precisa adquirir e não misturas proporcionais de alguns pontos percentuais da quantidade de combustíveis fósseis consumida como acontece na Europa ou no Brasil. Atualmente, a Agência de Proteção Ambiental do governo norte-americano fixa em 4,8 bilhões de litros a meta para o biodiesel.

O problema é que o mercado norte-americano tem mostrado alguma instabilidade jurídica. Especialmente no que diz respeito a um incentivo tributário no valor de US$ 1 por galão de biodiesel misturado aos combustíveis fósseis. Esse incentivo foi descontinua no final do ano passado, mas, segundo Manfred, “há a perspectiva de que ele volte”.

Exportação
Na visão da Argos, a América do Sul deverá dominar o mercado de exportação entre o médio e o longo prazos, junto com a Ásia.

Apesar das restrições, o mercado potencial é amplo. Nas contas de Wefers, os países europeus devem chegar a 2020 com uma capacidade produtiva de 20 bilhões de litros para uma demanda de 23 bilhões de litros de biodiesel. O que deve criar oportunidades para que os produtores nacionais exportem mais. “O Brasil deve exportar biodiesel para a Europa por volta de 2020”, avalia com otimismo moderado. A maior parte deve ser de produtos fabricados a partir de resíduo como sebo bovino ou óleo de cozinha pós-consumo que apresentam melhores níveis de redução dos GEEs.

Um detalhe menos conhecido sobre o mercado europeu é que ele remunera mais ou menos o biodiesel em função da matéria-prima do qual ele é fabricado. “Cada tipo de biodiesel – canola, soja, palma e sebo – atinge um preço”, resume. Ele também recomenda que o Brasil dê mais visibilidade aos impactos sociais positivos do Selo Combustível Social porque esse pode se tornar um argumento de vendas do produto para a Europa.

 

Fonte: BiodieselBr

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