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A vez da economia verde

16 jun

O anúncio do aumento do mercado brasileiro de biodiesel feito no final de maio pela presidente Dilma Roussef tem muito mais impactos positivos que o socorro ao caixa da Petrobras nas despesas com importação de combustíveis derivados do óleo bruto

De fato, o setor produtivo já alertara o governo dos reflexos benéficos da produção do biocombustível na economia de divisas na balança comercial com menos importação de diesel fóssil. Como mostrou este jornal uma semana antes do anúncio, só no ano passado foram importados 10,5 bilhões de litros, ao custo de US$ 8,3 bilhões. Ainda assim, a produção interna de biodiesel economizou US$ 2,5 bilhões. Quando chegarmos a misturar 7% de biodiesel por litro de diesel, em novembro deste ano, o país deixará de importar 1,2 bilhão de litros, numa redução de desembolso de US$ 1 bilhão.

Estudo da Fipe/USP revelou que de 2008 a 2011 o biodiesel brasileiro economizou R$ 11,5 bilhões em importações de diesel. Além disso, agregou R$ 12 bilhões ao Produto Interno Bruto. Depois de investir cerca de R$ 4 bilhões e gerar mais de 100 mil empregos em toda a cadeia produtiva, as usinas estão prontas para atender ao aumento da demanda com plena capacidade para corresponder à expectativa de abastecimento do mercado nacional.
Até o mês passado, o biodiesel era vendido na proporção de 5% por litro de óleo diesel, o que representava um faturamento de R$ 7 bilhões. Desde 2010, indústria trabalha com cerca de 60% de ociosidade. Com um volume de 2,91 bilhões de litros processados em 2013, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial, atrás dos Estados Unidos e o segundo maior consumidor, depois dos EUA e da Alemanha.

Em 2011 já fomos o maior consumidor, quando a crise financeira na Europa reduziu o consumo na Alemanha em 200 milhões de litros. Agora, com o aumento do blend no óleo diesel, temos grandes perspectivas de chegar a ser também o segundo maior produtor.

A produção do biocombustível fomenta, também, o processamento de soja e farelo do grão que, quando exportado, valoriza a pauta de exportações do país, além de ser destinado à cadeia alimentar de aves e suínos, em última instância, à cadeia alimentar humana.

O biodiesel contribui, ainda, com o cumprimento das metas internacionais do Brasil para redução de emissões de gases de efeito estufa assumidas na conferência COP15 da ONU, na Dinamarca, no ano passado. Para o Ministério do Meio Ambiente, o aumento do seu uso reduzirá a emissão de 48 a 60 milhões de toneladas equivalentes de gás carbônico até 2020.

O mesmo trabalho da Fipe citado acima revelou que naquele período de 2008 a 2011 a redução destas emissões foram de 11 milhões de toneladas equivalentes, quando mais cresceu a presença do biodiesel no diesel, passando de 2,49% para os atuais 5%.

O biodiesel emite 57% menos gases poluentes que o óleo mineral. Com 10% de mistura, a emissão de gás carbônico cairá 8%. Com 20%, 12%. A medida reduz as internações hospitalares por problemas respiratórios, liberando as políticas públicas de saúde, ao diminuir seus custos, para focar nos atendimentos de emergência, mais prioritários.

Segundo a Escola de Medicina da USP, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo internam juntas 37,2 mil pessoas por ano com problemas respiratórios, a um custo acumulado de R$ 35,9 milhões. Com o chamado B10 (10% de mistura), 2.980 destas internações seriam evitadas, além de 423 vidas salvas e R$ 2,9 milhões economizados, nestas cidades. Com o B20, serão evitadas 4.840 internações, 687 mortes e R$ 4,68 milhões redirecionados para outras despesas dos sistemas de saúde das mesmas capitais.

O biocombustível impulsiona também a reciclagem animal, com a coleta de sebo bovino, que responde por mais de 20% do óleo produzido no Brasil. Foram 400 mil toneladas em 2013. Também no ano passado, fizemos o combustível a partir de 30 milhões de litros de óleo de cozinha reutilizado, que antes poluíam rios e outros leitos d’água.

Mais de 100 mil famílias de pequenos agricultores já foram incluídos na cadeia produtiva do biodiesel, recebendo R$ 8,5 bilhões em compras de matérias primas, assistência técnica e insumos agrícolas.

É o maior programa de transferência de renda do país, senão da América Latina. A iniciativa faz do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel o único no mundo a produzir energia limpa, com viés social. Só em 2013 foram repassados R$ 2,85 bilhões a pequenos agricultores. A biomassa é um segmento inovador, que agrega valor ao PIB, gera mais empregos e põe o Brasil na vanguarda da modernidade mundial.

Erasmo Carlos Battistella é presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil


Fonte: Aprobio

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