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Combustível à soja

12 jun

Aumento da mistura de biodiesel ao diesel para 7% a partir de novembro deve elevar consumo da oleaginosa em 4,5 milhões de toneladas ao ano a partir de 2015. Indústria espera redução da ociosidade

A indústria do biodiesel deve abocanhar 18% da safra nacional de soja a partir de 2015. Cálculo elaborado pelo Agronegócio Gazeta do Povo, baseado nas proporções atuais praticadas no mercado, indicam que a oleaginosa terá uma demanda adicional de 4,5 milhões de toneladas ao ano. Com o aumento da mistura do combustível renovável ao combustível fóssil para 7% a partir de novembro, as usinas deverão consumir ao todo 15,7 milhões de toneladas da oleaginosa. Hoje, cerca de 11,2 milhões de toneladas são transformadas em óleo e, posteriormente, combustível limpo. A notícia vem no momento em que há uma pressão de baixa sobre as cotações internacionais da commodity, por conta de uma expectativa de mais uma oferta global recorde, liderada por Estados Unidos. O consumo extra pode dar sustentação aos preços, avaliam os especialistas. “Os impactos são amplos e benéficos para várias cadeias”, resume Leonardo Botelho Zilio, assessor econômico Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Quem mais comemora a medida é o setor do biodiesel. “Neste ano, no lugar de exportar, teremos que redirecionar para o mercado interno. A partir do próximo ano será necessário esmagar mais para atender o consumo do país e gerar excedente para exportação”, ressalta o gerente geral da usina BSBios, de Marialva (Norte), Antônio Borsolan Gaspar.

A ociosidade do parque industrial brasileiro de biodiesel deve ser reduzida com o aumento da mistura. No ano passado, as mais de 60 indústrias espalhadas pelo país produziram 2,9 bilhões de litros de biodiesel, 37% da capacidade instalada (7,8 bilhões de litros), de acordo com relatório da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Com a nova determinação, o governo federal “exige” que a produção passe para 4,3 bilhões de litros a partir de 2015. Es­­sa quantidade representa 55% do potencial do Brasil. “Diminui [a ociosidade], mas não resolve”, comenta Gaspar.

Outras culturas

Para a Abiove, os benefícios da nova medida vão além do uso da principal commodity agrícola produzida no Brasil. Os pequenos produtores também terão que elevar a produção de canola, mamona, óleo de palma e outros produtos agrícolas que servem de matéria prima para o biodiesel. Até mesmo o setor de carne, que fornece sebo para a fabricação do combustível limpo, terá retorno financeiro.

“Além disso, desafoga um pouco os portos brasileiros, pois o país não terá que importa tanto [diesel]”, aponta Leonardo Botelho, assessor econômico da associação. “Existe a chance de reduzir o preço do diesel”, acrescenta. Se isso ocorresse, haveria impacto sobre os custos do agronegócio, que usa boa parte da frota nacional de veículos movidos a diesel para plantar, colher e transportar a produção agropecuá­ria do Brasil.

 

Fonte: Gazeta do Povo/ Agronegócio

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